segunda-feira, 3 de março de 2014

Hoje não me sinto tão bem assim...

Hoje não me sinto bem...
          Não é em relação a minha saúde, nem nada fisiológico. Hoje, apenas não me sinto bem...
         Vejo o dia que se iniciou, as pessoas andam de um lado para o outro, elas não se conhecem, têm pressa de chegar. Todos tempos pressa de chegar a algum lugar. E nessa pressa, esbarramos com a multidão de almas que se aglomeram em torno de um objetivo único: conseguir chegar a tempo.  

Hoje não me sinto tão bem assim... 
         Hoje eu vejo as pessoas, mas não as vejo de verdade... São meras participações diárias, enquanto eu passo por elas com o meu próprio destino. Estou sozinho. É só isso que consigo definir. 

          Para não ficar totalmente só comigo, busco a lembrança das pessoas que fazem sentido nesse amontoado de gente. Vejo a face dos meus amigos um a um... Penso em quantos assuntos ficaram sem entendimento, nas mágoas plantadas no vasto terreno da amizade e nos perdões lançados como água escassa sobre as desavenças cultivadas. Dizemos que a amizade perdoa tudo, acredito nisso, mas as mágoas são colocadas num pedestal muito alto para nunca serem alcançadas, e de longe podemos vê-las... Elas ficam lá durante toda a nossa vida e são lembradas, relembradas, reviradas... 
          Penso, sobretudo hoje que não estou assim tão bem, nas boas intenções e na fé tola, por acreditar que fazemos um bem para alguém. Não existe isso! As pessoas não estão preparadas para receberem o bem. Talvez a vida tenha feito isso a todos... Somos carentes, mas somos arredios e entendemos a bondade do próximo como humilhação. 
       Isso me entristece muito, e hoje sinto esse sentimento tão latente!
Mas que porra é essa?
Será impossível que todos as nossas ações ficam à margem da interpretação e do julgamento alheio?
Por que as pessoas sempre estão contaminadas pelo abastardo sentimento do desentendimento? Por que simplesmente não aceitam o bem sem duvidar?
Vejo que cada vez mais as coisas perdem o sentido original... E nos amontoamos nessa correria diária, contorcendo o nosso ser com o desamor...
Somos preconceituosos em relação ao bem. E preferimos acreditar em quem semeia a discórdia... 
Hoje não estou bem...
Triste o bastante para um início de dia, de semana, de ano...
       Vivemos um amor morno, sem caridade no sentido real da palavra, comparamos e entendemos caridade como entregar uma esmola para alguém, uma roupa, um agasalho para comprar a nossa consciência e pensar, sim eu sou bom! Não somos não! O nosso amor é figurante nesse mundo corrido e fazemos tudo muito superficialmente, e a própria palavra caridade hoje é entendida como humilhe o próximo. Até o próximo entende errado o ato de ser amado por outra pessoa. Ninguém mais sabe o que é caridade... 

           Caridade é o próprio amor que faz a gente admirar o mundo, faz o peito explodir com esse sentimento. Faz a gente amar as coisas toda da vida: os amigos, os inimigos, os mendigos e os tortos, os heróis e os vilões. Trazer o mundo inteiro consigo, e o Amar isto é caridade, amar sem ser contestado pelo bem que se faz.
Guilherme Sant'Anna
I Corintios 13
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. 
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. 
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, 
5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; 
6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; 
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 
8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 
9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; 
10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. 
11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 
12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. 
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
São Paulo